sábado, 19 de julho de 2008

conjecturas.i

Sim, foi por aí. Uma nota, um fait divers clássico que parecia falso, completamente improvável. Uma isca do mundo apócrifo. Liguei o som do computador para escrever (realmente, o avanço da história, que normalmente vai para trás, com motor de proa, nos aniquila, extingüe a nossa humanidade, uma máquina de escrever é uma máquina de escrever e assim por diante, apenas um gramofone no passado distante) e ouvi muito claramente a voz da mulher gritando desesperada shame is the shadow of love. O acaso é a ponte que liga o universo e eu penso na sombra cobrindo o dia de Dimitroff. Como explicar um sumiço de trinta anos, como explicar a volta depois de um sumiço de trinta anos. O que são trinta anos?, eu pergunto. Quando você se deu conta da própria vida, quantos anos já haviam passado? Você já tinha tatuado na pele o sinal mais forte da vida, o sinal divino que diz velhice, morte, queda, extinção?



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